O conhecido cinza das metrópoles está, pouco a pouco, ganhando pigmentos verdes. O mais novo destaque dentre os edifícios corporativos de alto padrão do Rio de Janeiro é o Ventura Corporate Towers, o maior complexo de escritórios da cidade.
“Com esta certificação, o Ventura junta-se a outros empreendimentos verdes desenvolvidos pela Tishman Speyer, como é o caso do Rochaverá Corporate Towers, em São Paulo, e o Hearst Tower, em Nova York”, afirma Daniel Cherman, presidente da Tishman Speyer, incorporadora que desenvolveu o projeto em parceria com a construtora Camargo e Corrêa. Os projetos arquitetônico e urbanístico, sob a responsabilidade dos escritórios Kohn Pedersen Fox, dos Estados Unidos, e Aflalo & Gasperini, do Brasil, incluem acabamento em vidro com um recorte para o design da fachada.
Para se ter uma idéia da sofisticação do empreendimento, que custou meio bilhão de reais, o valor do aluguel mensal do metro quadrado na primeira torre, inaugurada em Julho de 2009, é de R$ 140, segundo levantamento da Binswanger Brazil, empresa de consultoria imobiliária corporativa.
E não há mais nenhum andar disponível: o BNDES ocupará quatro andares, enquanto a Petrobras já acertou o aluguel de todos os outros 32 andares da primeira torre. A segunda, que dever ser entregue em junho deste ano, ainda não teve seu espaço para locação negociado. As duas torres são ligadas até o 27º andar, com cerca de 2.200m2 cada, até que, a partir do 28º, as unidades se separam, com os menores espaços chegando a 800 metros quadrados.
Esse êxito nas locações, no entanto, não está relacionado diretamente com o fato de o Ventura ter conquistado a certificação LEED na categoria Gold, tornando-se o primeiro edifício nessa categoria de todo o Rio de Janeiro, e o segundo do hemisfério Sul.
“Apesar de ser uma coisa que começa a ser valorizada no mundo, essa certificação não se reflete em termos de valor de locação. Ninguém paga a mais para estar num prédio green building”, avalia Nelson Faversani, diretor adjunto de construções da Tishman Speyer, incorporadora que desenvolveu o projeto em parceria com a construtora Camargo e Corrêa. “Existem muito poucos prédios certificados. Hoje, essas características de green building dão visibilidade, e fazem com que o prédio seja perene. Daqui a dez anos, metade será certificada, outra não. O nosso já é”.
E, sendo um edifício verde, o Ventura alcança uma economia de cerca de 35% no consumo de água e uma série de vantagens que, a longo prazo, tornam a decisão favorável não só ao meio ambiente, mas também aos gestores.
Toda a água de condensação do ar condicionado e de chuva é recolhida e passa pelo espelho d’água do prédio, localizado no boulevard. Dali, a água vai pra um tanque de retenção, e depois é re-usada para as torres de resfriamento e para irrigação. O excedente é jogado na rede pública após o pico da chuva.
É justamente essa água que refrigera os três chillers de alta performance instalados no prédio, sendo dois de 800t e um de 500t. “É o sistema de ar-condicionado de menor consumo de energia”, afirma Faversani. O equipamento faz uso de variadores de freqüência, permitindo operá-lo para atender áreas de grandes dimensões ou áreas bastante pequenas.
“O grande problema dos equipamentos maiores é que eles são muito econômicos quando você tem uma ocupação grande no prédio. Mas, quando existe um único andar trabalhando depois do horário ou no fim de semana, eles são muito dispendiosos. Seria preciso ligar um equipamento pesadíssimo, que seguraria 4 ou 5 andares, para atender somente um andar. Como ele tem o variador de freqüência, eu consigo, com esse equipamento grande, trabalhar como se ele fosse um equipamento pequeno, com uma curva de rendimento bastante próxima do máximo dele”, explica Faversani. Na torre 1, o equipamento é da fabricante Trane. Na torre 2, é da fabricante Carrier.
O módulo de ar-condicionado usado no Ventura tem um outro diferencial. A parte do condensador, que causa maior poluição sonora, é separada da do evaporador, reduzindo consideravelmente o ruído.
O controle dos equipamentos das duas torres é realizado numa central por meio de um software desenvolvido pela Smart Automação Predial a partir do software-base Continuum, da Andover Controls, adquirida pela Schneider Electric. O software é responsável também pelo controle de outros sistemas prediais que demandam energia, a exemplo dos sistemas elétrico e hidráulico.
Esse software faz toda a automação do prédio, nas partes comuns e nos pavimentos, controlando inclusive a quantidade de ar que chega a cada andar. A iluminação interior, projetada com equipamentos de alta eficiência, também se integra ao sistema de automação predial, com acionamento através de programação horária, para reduzir o consumo de energia. Até as persianas instaladas pelos clientes podem ser comandadas pelo sistema de automação.
O sistema principal de alimentação de energia é fornecido até o quadro principal de cada andar. O prédio possui gerador para suportar 30% de toda a capacidade, atendendo às cargas de emergência, elevadores, etc. A instaladora do sistema elétrico e hidráulico de ambas as torres foi a Qualieng, que forneceu no-breaks da GE e geradores Stemac para ambas as torres.
Integrado ao sistema de automação predial, há, ainda, um sistema avançado de gerenciamento de energia com o objetivo de acompanhar e avaliar as medições de consumo de energia por uso final dos equipamentos/dispositivos elétricos dos sistemas prediais. Além disso, o sistema de medição individualizada de energia garante aos locatários a possibilidade de acompanhamento de seu consumo de energia. |